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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

The Kids Are All Right

Casamento não é coisa fácil,diz a personagem de Julianne Moore em determinado ponto do filme. The Kids Are All Right faz um retrato bem humorado desta dificuldade de permanecer do lado de outra pessoa durante tanto tempo. O casal formado pelas ótimas Annet Benning e Julienne Moore está junto a duas décadas e tem dois filhos com o mesmo doador biológico. Levam a vidinha de sempre,rotineira até que seus rebentos decidem conhecer o pai.
O que está em questão no longa são como de dão as relações ao longo do tempo,como construimos laços e como convivemos com nós mesmos com o passar do tempo,ser uma família gay ou tradicional é apenas uma escolha do roteiro que não faz do filme um portador da bandeira gay.
A diretora de forma delicada constrói por meio de símbolos as relações dos personagens,um gesto,um objeto,dizem muito. Dificil nos dias atuais o diretor que se preocupa cuidadosamente em criar simbolicamente estas conexões. A cena em que as duas mulheres estão no banheiro conversando depois de um jantar,escovando os dentes é um exemplo da direção de Lisa Cholodenko. Cena de um cotidiano banal,mas que apresenta todo o peso desta relação para o publico: a rotina do casal, a perda de mistério e sensualidade por parte das amantes (escovar os dentes de pijama mal ajambrados) e um punhado de cabelo de Julienne pego por Benning no ralo,este símbolo retornará no climax .
Não há duvidas que boa parte do sucesso do filme se de pela presença marcante das duas atrizes e do bom desempenho do machão canastra e sensivel de Mark Rufallo.Destaque para Annet Benning na cena climax do filme, a camera fixa em seu rosto,o audio é interrompido e só temos na tela,ela, seus olhos,sua respiração,tudo desmorona em sua volta,mas ela em um jantar com todos da família não pode desabar,toda sua dor,incompreensão, e deslocamento estão em seus olhos e nas pequenas movimentações de boca. Raras as atrizes que seguram tal cena e transmitem o que o diretor quer captar com um close tão agressivo.
The Kids Are All Right não tem a pretensão de ser um grande filme, e talvez por isso ele seja uma ótima diversão.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sonho de Duas Passagens

Silencio. Bruto. Peso. Natural. Palavras que definem bem o longa americano Sonho de Duas Passagens. Quase não há diálogos, o poder é imagético,a floresta onde a história se situa é a força motriz dos personagens,de suas relações com o mundo e entre si. Assunto recorrente no imaginário norte-americano desde o século XIX,a volta a natureza,o abandono da civilização e a conexão com outra lógica social.
Uma família composta por dois irmãos e sua mae mora afastada de tudo e de todos no coração de uma floresta. Os rapazes belos e de traços delicados possuem um lado bruto forte marcado pela existencia no local. As leis da cidade não valem ali,eles vivem a parte do mundo civilizado instituído. Caçam seu próprio alimento, a tv (grande comunicadora e fonte de ligação) não funciona propriamente,fazem suas leis.
O longa se prende na relação destes personagens com o local,o tempo é diferenciado,lento,da própria natureza. A narrativa é da passagem do tempo. Ao perder a mãe, os dois rapazes realizarão uma jornada para cumprir seu ultimo desejo. Não é um caminho de auto-conhecimento,de reviravoltas mas o desejo maior e a responsabilidade de algo muito maior.






sábado, 30 de outubro de 2010

Metropolis


Não falarei do filme Matrópolis propriamente,não teria nada por agora a acrescentar a este belíssimo longa de Lang,mas volto-me para a experiencia unica que foi assistir-lo em tela grande,com musica ao vivo no Parque do Ibirapuera. Tudo nesta frase é excepcional, a oportunidade de ver um clássico em tela grande, o acompanhamento de uma orquestra,nos trazendo a sensação de como deveria ser a dobradinha cinema mudo e musica ao vivo, e o local,um parque. Ao contrario da sala escura onde o silencio impera e até um leve sussurro pode atrapalhar a pessoa ao lado,no gramado do Ibira a platéia estava compenetrada,havia silencio mas era possivel compartilhar a experiencia com a pessoa ao lado,os fumantes felizes pois podiam fumar sem ser discriminados,cachorros com seus donos,carrinhos de crianças,piquinique,uma grande comunhao.
Experiencia para guardar na memória e se perguntar porque o governo em conjunto com empresas nao patrocinam tais iniciativas mais vezez,por que só a Mostra tem boas iniciativas como esta e a bem sucedida exibição no vão livre do MASP? Uma vez a cada dois meses exibir um filme de peso em parques não pode ser mais caro que muitas bobagens escolhidas pela prefeitura e estado para cultura.
Leon Cakoff deixa a dica para a administração de São Paulo de como levar produto de qualidade para a população.