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domingo, 5 de setembro de 2010

REC 2


Em 1999 os responsáveis por a Bruxa de Blair assombraram publico e industria com um filme barato e com belo marketing. A idéia era realmente genial,aproveitar o uso cada vez mais comum de cameras de video caseiras para fazer um filme de terror,ou melhor um documentário,pois todas as imagens foram gravadas pelos personagens e toda trama foi feita como um registro real de algo muito macabro que teria acontecido numa floresta norte-americana. Florestas já são assustadoras por si por serem o local das forças da natureza,do desconhecido,onde o homem não tem o controle,junte cenas de pavor de algo que nunca tomar forma,nunca se manifesta na frente da camera,sendo mera sugestão e voi lá,temos um ótimo filme. Alguns anos mais tarde, a industria cinematográfica retoma a idéia original de registro pensando agora no boom da internet e documentaçao exaustiva na rede, o que não está no youtube,não existe,já está sentenciado. A partir desta premissa e voltando-se para a experiencia bem sucedida do final dos anos 90,os filmes de terror começam a sair da ficçao para quererem-se reais,ou seja o sobrenatural não mais como parte da fantasia,mas como algo possível,o que por si só já seria assustador,afinal é o grande medo,saber que o Mal não é apenas história da carochinha. Rec 2 faz parte desta leva de longas de terror.
O longa espanhol abusa do registro documental,o olhar é fragmentado na perspectiva de vários personagens que detém o poder da imagem,eles portam cameras de qualidade diversas,entretanto seu uso é tradicional, a narrativa poderia ser pulverizada na perspectiva destes diversos olhares,entretanto se matem linear,salvo raríssimas excessões onde o diretor consegue explorar um pouco melhor sua idéia estética, no primeiro registro dos personagens adolescentes quebrando o ritmo do filme,com o policial encurralado no banheiro,somos testemunhas passivas assim como os outros de sua situação, uma ou duas imagens das cameras dos capacetes dos soldados,criando a impressão da camera subjetiva do video game na qual a arma sempre aparece e os movimentos são ageis e bruscos e o aparelho com infra vermelho que grava no escuro que envoca a discussão do dispositivo fotográfico ou videografico como capaz de captar o invisível, de reter a "alma".
Com toda esta parafernália Rec2 é obssessivo em criar uma atmosfera de real,do registro,tudo é preciso ser dito para camera e um dos personagens diz a cada dois minutos que absolutamente tudo precisa ser registrado,arquivado. Nem com muita boa vontade compramos a idéia do diretor. Só verbalizando,explicando para tentarmos entender porque o longa foi feito. Uma mistura de filmes de zumbi com Exorcista e O ChamadoItálico, o filme espanhol não chega a lugar algum,fica dando voltas em torno da documentaçao do acontecimento e de um objetivo fraco que não se sustenta nem por dez minutos,conseguir o sangue da zumbi/possuida causadora primordial de toda a tragédia.


sábado, 7 de agosto de 2010

A Prova de Morte

Finalmente chega às telas brasileiras A Prova de Morte,filme de 2007 de Quentin Tarantino,que faz parte de um projeto maior, Grindihouse, entre o diretor americano e Robert Rodrigues. Os dois amigos prestam uma homenagem aos filmes de horror B da década de 70, cada um dirigiu uma parte e infelizmente estas foram lançadas como independentes uma da outra mundialmente,o que criou este hiato entre o filme de Rodrigues lançado no país faz tempo e o de Tarantino.
Em A Prova de Morte o diretor experimenta livremente sua linguagem cinematográfica,seus traços estão lá : o underground, os rincões norte-americanos,a cultura negra,o pop, a violencia, a ironia, a musica,os diálogos ácidos e banais,mas todos potencializados. A edição do longa,ao invés da agilidade pop de seus outros filmes, é cuidadosamente pensada para expandir o tempo,alargá-lo de tal forma que ficamos ansiosos e inquietos procurando onde entrará o sangue,a violencia. Tarantino sabe disso,ele brinca com nossas espectativas e quando a ação esperada acontece ela é rápida e impactante como se o fosse no momento real. Todos os enquadramentos e tempos são pensados como os movimentos de um predador a espreita de sua presa, ele dá-lhe tempo,sem pressa a cerca,se diverte com a situação. Somos colocados na posição de Stuntman Mike,papel de Kurt Russel, o serial killer que mata suas presas,sempre mulheres,com uma arma poderosa,seu carro envenenado.
A Prova de Morte é ,apesar deste jogo de captura, um filme extremamente rápido,quando nos damos conta ele já terminou e estamos contaminados pela adrenalina da caça. Um ótimo exercício cinematográfico de Tarantino,que assina também a direção de fotografia.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Zumbilandia



Quem é fã do genero vai se decepcionar com o filme, afinal zumbies são apenas pretexto nesta comédia nonsense. O diretor bem que tentou se valer de nomes como de Jesse Eisenberg e Abigail Breslin para dar ao longa um ar mais cult,mas acaba esbarrando em cliches bobos e uma trama bem chatinha.

Depois que um vírus mortal se espalha pelo mundo através de um hamburguer infectado, quatro sobreviventes se encontram em uma rodovia : um caipira maluco, um nerd, e duas irmãs trambiqueiras. Cada um está indo para um lugar, por motivos variados, encontrar um bolinho de creme, rever os pais nunca próximos,se divertir num parque de diversões. Boa sacada do roteiro em ridicularizar os pretensos filmes sérios de zumbies,onde realmente não há um objetivo a não ser sobreviver claro, encontrando o local livre das criaturas.Entretanto existe um porém, a graça destes filmes está justamente na tensão que criam, um numero bem pequeno de pessoas tem de lutar por sua sobrevivencia com milhares de monstros famintos, ao primeiro arranhão se tornam um deles, qualquer lugar que se vá,lá estarão eles e a comida está acabando. O problema em satirizar tudo isto é cair no oposto,nada faz sentido, vamos aproveitar o momento e então os zumbies tornam-se mero detalhe e o espectador fica se perguntando por que é que estou assistindo a tudo isso. A história falha pelo excesso e por não explorar melhor as regras estabelecidas pelo garoto nerd que servem como um manual de sobrevivencia para qualquer filme de terror ( o filme começa utilizando bem este "toc" mas depois se perde pelo caminho).

Melhor esperar A Madrugada dos Mortos 2.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Atividade Paranormal

Atividade Paranormal está sendo anunciado como o filme mais assutador dos ultimos tempos muito antes mesmo de seu lançamento. A Paramont investiu pesado em divulgação, Steve Spielberg entrou como produtor executivo neste longa feito com modestos recursos,entretanto o resultado é decepcionante.
Há dez anos atrás entrava em cartaz A Bruxa de Blair, toda a estratégia de marketing foi anunciar na internet, que naquela época não cobria nem um terço dos locais que cobre hoje, e na mídia convencional que tratavam-se de gravações reais,o que se veria no cinema era o testemunho verdadeiro de uma tragédia nos EUA. Três jovens vão acampar e documentam a viagem com cameras amadoras,eles se perdem e coisas muito estranhas acontecem sem que nada apareça de concreto na tela a não ser o medo e barulhos,por fim depois de um dos garotos ter desaparecido,os ultimos dois encontram sua sorte em uma cabana abandonada e a ultima imagem que temos é a da camera caída no chão focalizando uma parede cheia de marcas de mãos de crianças.Foi um sucesso instantâneo e mostrou que uma idéia na cabeça e uma câmera na mão também servem para filmes de terror e que o marketing de guerrilha funciona muito.
Voltemos à 2009 e Atividade Paranormal. O longa parte do mesmo pincípio de A Bruxa de Blair,trata-se de uma história verídica gravada pelo casal vítima em sua casa. Existe apenas uma câmera manipulada pelos atores ou presa a um tripé no quarto. A protagonista é "perseguida" esporadicamente por algum tipo de entidade desde criança,como agora as manifestações voltaram seu namorado resolve comprar uma câmera e registrar tudo o que acontece na casa,principalmente enquanto dormem. Como no longa de dez anos atrás o diretor parte muito da sugestão,não vemos o que a perturba,ouvimos barulhos,a luz acende,a televisão liga,no máximo temos uma sombra que aparece rapidamente,mas ao contrário do precursor falta ritmo e os noventa minutos parecem mais, pois se em A Bruxa existia uma lenda e uma floresta, motes que por si só já assutam e que possibilitam movimentação, aqui temos uma casa que não possibilita muita ação e uma história capenga que em muitos momentos não se sustenta. A maior parte da narrativa se passa à noite enquanto dormem,então o que temos é uma grande angular pegando o quarto inteiro com os dois personagens dormindo e a visão do corredor, derrepente algo se manifesta,mas o timing não é tão certeiro a ponto de sempre nos assustar,às vezes chega a ser previsível e os intervalos são muito longos entre uma ação e outra. Soma-se a tudo isto o fato de hoje em dia com a quantidade de informações que temos acesso ninguém cair no truque de que se trata de uma história real e assim suas possíveis falhas serem encobertas pelo voyerismo macabro. Os ultimos vinte minutos são bem melhores que o filme até então, existe agilidade, a história desenrola melhor, atinge o clímax e vai ficando assustadora, se tivesse mantido o ritmo desde o começo com certeza os espectadores quando voltassem para casa iam pensar duas vezes antes de se deitar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Colin

Uma camera na mão,uma idéia na cabeça,muito sangue, 70 dólares e mais de cem figurantes. O resultado é Colin,filme de terror,mais precisamente de zumbis que vem para transformar o genero.Geralmente estes longas ou flertam com o trash,ou com a comédia,não raro com os dois. O filme ingles tem trash,tem cenas comicas,mas é um drama. Acompanhamos a saga do anti-herói, Colin,após ter sido mordido e se tornado um morto-vivo. Ele vaga por Londres e o seguimos. O longa tem 97 minutos,pouquissimos diálogos, e sequencias de silencio e vazio profundos. O personagem parece flanar pela cidade abandonada por humanos e tomada por zumbis. Os planos são em sua maioria planos gerais que o mostram andando sozinho durante muito tempo,nos dando a sensaçao de abandono e desesperança,não há motivação,ou closes que o humanizam, os pés caminhando torto e arrastado,as mãos deformadas,como se fosse alguem com limitações.Tomadas da arquitetura ou do tempo, a propria mudança temporal gradual.
Em seu caminho Colin se depara com humanos que lutam por sua sobrevivencia,neste momento ele se torna de fato o que é : um zumbi. Ou seja, o instinto de matar e comer suas vítimas é o que o move,até que algo chame sua atençao.Neste momento o diretor presta uma homagem ao classico cinema de terror,pois as cenas não deixam a desejar nada ao mais sanguinário exemplar do genero,muito sangue e víceras para todos os lado.Entretanto, não existem mocinhos,nem vilões, o garoto morto-vivo e outros apenas fazem aquilo porque é o que deveriam fazer,a maquiagem é quase inexistente,o que lhes confere uma afeição assustadoramente humana ( tao mais fácil seria se eles fossem monstros horrendos...) e os humanos de fato não são muito melhores que os mortos. Estes não possuem consciencia do que fazem, apenas agem,já aqueles possuem o que é de mais caro a raça humana,o raciocínio, e cometem barbaridades enquanto o mundo se aproxima do fim. Ficando a pergunta de quem é realmente o perigo.
Em sua jornada o espectador é convidado a reflexao sobre sua própria condição e sentido ou nao de nossa própria existencia,afinal Colin está fadado a eternidade a marchar sem rumo alheio a toda vida que o cerca ? A consciencia é algo libertador ou é capaz de nos tornar tão piores do que zumbis ?