quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Os Melhores da Década
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Tropa de Elite 2

domingo, 17 de outubro de 2010
Como Esquecer

sábado, 18 de setembro de 2010
Reflexões de um Liquidificador
É gratificante ver o cinema nacional se libertar da polaridade sertão-favela,pois se nos anos 60 existia uma estética muito precisa embasada num contexto político o cinema da retomada a subverteu transformando-a em fetiche, estes locais,esta condição brasileira banalizou-se completamente. sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Dois Mundos
Antes de começar a escrever este texto fecho os olhos e me deixo ser levada pelos sons que tomam conta deste sábado calmo. Um passarinho em alguma arvora próxima pia, alguns carros passam na rua,uma moto com o motor desregulado faz um barulho insuportável, longe consigo distinguir um ônibus,minha mãe mexe em alguma coisa na cozinha,nos talheres provavelmente por causa do barulho,metálico, meu pai passou no corredor arrastando seus chinelos,som arrastado,como vento baixinho e agora a TV está ligada,parece uma melodia,estaria meu pai vendo um de seus filmes de cowboy?ou seria apenas Tom e Jerry? Você lendo o texto, experimente esta sensação, ouça o que esta ao seu redor,e agora imagine e se todo este barulho desaparecesse? E se só te restasse o silencio?
“Dois Mundos” retrata o universo dos surdos, não é um documentário de imagens,mas de sons,sinestésico. A diretora Thereza Jessouroun explora de maneira inventiva o seu objeto,o ouvir. Já de inicio,nos causa estranheza o som altíssimo da projeção,amplificado ele dói aos ouvidos,atordoa um pouco. Gostaria que fosse um pouco mais baixo,penso eu num primeiro momento,mas quem já teve até uma leve inflamação no ouvido sabe que dentro de locais fechados cria-se como se fosse um vácuo, o som é abafado, e sendo mais baixo,conseguiriam ouvir ao documentário as pessoas com problemas auditivos?Na fila para a sessão noto na minha frente um grupo conversando em libras,um papo animado pelas expressões e pela velocidade de seus gestos,uma conversa silenciosa, fiquei imaginando como seria ir ao cinema e não ouvir nada,qual a percepção de um filme,todo construído para o uso do som sem este ,as imagens por si só e os atores bastam?
Neste documentário não, a presença do som é onipresente, alto, abafado,eco,todas as maneiras de se ouvir e se sentir o barulho, pois quem é surdo pode não ouvir aquilo que está sendo escutado pela maioria,mas ele sente,afinal som não são ondas propagadas no espaço?Ele vibra,eles sentem a vibração,coisa que nós ouvintes perdemos um pouco a sensibilidade de perceber, Thereza coloca a sala de exibição para vibrar com a chegada de um metro na estação,com a musica alta de uma discoteca.
Partindo de vários depoimentos de jovens surdos, a diretora cria um panorama rico de impressões deste mundo,como cada um se relaciona com o silencio e com o barulho quando com o aparelho,como cada um ouve.Eles ouvem diferentemente,os sons não são tão claros,as vezes os menores sons não são captados,mas nós ouvintes captamos, estamos abertos para estas pequenas coisas? Uma das garotas disse que ficou maravilhada em saber que seus passos na areia produziam barulho,podemos ouvir nossas próprias pegadas,quantas vezes você ouviu o barulho de seus pés? A mesma entrevistada relatou que por viver no silencio inventava os sons das coisas. O poeta Manoel de Barros diz que “tudo que não invento não existe”,ela inventou o mundo a sua maneira,preencheu lacunas,o som existe como nós o percebemos,o mundo existe a nossa maneira.
“Dois Mundos” não trata de maneira complacente os surdos, não os transforma em vitimas, eles vêem,ouvem o mundo de outra maneira,nem pior,nem melhor,apenas diferente. E se por algum momento o espectador ficar tentado a se compadecer do grupo,muitos deles nos lembram que ouvir excessivamente,tudo, a todo momento,sem trégua pode ser desgastante, “meditar” um pouquinho,ou seja retirar o aparelho e se apartar do mundo sonoro, pode ser muitas vezes algo revigorante. É verdade,enquanto termino este texto,um carro pára em baixo da minha janela com o som alto, sou obrigada a ouvir funk e sertanejo contra minha vontade,o passarinho em alguma arvore próxima silencia, e sou deixada com este barulho nada agradável.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Dzi Croquettes
O documentário parte da história pessoal da diretora Tatiana Issa,filha de um cenógrafo que acompanhou os Dzi Croquettes no final dos anos 70,para contar a história da irreverente trupe vanguardista brasileira. A partir de registro em super 8 de época e entrevistas com os próprios integrantes e pessoas que conviveram com o grupo durante sua existencia Tatiana devolve aos holofotes os Dzi Croquettes. A partir de sua narração em off inicial na qual explica que para ela, muito pequena, aqueles homens pintados e purpurinados eram palhacinhos ela desenvolve seu documentário. Ou seja existe neles ingenuidade,pureza, empatia, o lado dubio da máscara, artistas enfim a procura da criação,da vida, da alegria através do riso,do grotesco,do incomodo.sexta-feira, 11 de junho de 2010
A mulher de todos
Documentário
Primeiro curta de Sganzerla, Documentário é uma homenagem ao cinema. Dois amigos flanam pelo centro de São Paulo sem saber o que fazer,falando de musica,quadrinhos e principalmente cinema.Se Sganzerla dará um pouco mais tarde uma entrevista dizendo ser preciso destruir Godard neste filme o cineasta frances é referencia,no flanar da camera, no consumo de notícias e cultura pop pelos dois personagens amigos,no carater predominate discursivo do curta.
Um registro da metade da década de 60 brasileira,da juventude um pouco perdida que ve a revolução como maneira de evitar o tédio,que não ve o cinema como manifesto político ( um dos personagens diz que o cinema italiano já era) mas uma maneira de se expressar,não importa se com recursos ou não.
O que conta conclui um dos garotos é o que está na tela.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Nosferatu no Brasil
Hélio Oiticica e Ivan Cardoso tinham a idéia de fazer cinema de terror no Brasil, trazer o trash,o underground para a estética brasilis. Cardoso realiza este desejo através de seu filme super oitista, Nosferatu no Brasil, de 1971. Torquato Neto interpreta o famoso vampiro nesta versão pop e divertida.domingo, 11 de abril de 2010
O Esplendor do Martírio
Frases em um papel. Um poema? Um manifesto?Todas desconexas,ou não? Assim começa o filme em Super 8mm de Sérgio Péo,takes de pedaços amassados de papel escritos a mão. O filme em si é um poema, de imagens. Registros de uma cidade vazia, arquiteturas imponentes revelando o progresso,mas qual progresso?O tal da ordem?Esplendor do Martírio é de 1974, ano da “lenta,gradual e segura” abertura política do general Geisel,uma promessa frente às barbaridades do AI5 mas que se revela neste primeiro momento um desastre pois a linha dura não cede,e sim aumenta o cerco. Pirotecnia do governo?Em uma das primeiras cenas Péo filma um negro vestido de forma extravagante cercado por alguns populares, ele cospe fogo e se contorce, seu combustível está em uma garrafa de Coca-Cola,ela merece um close, por que não?Estamos já bem acostumados a cultura norte-americana, para o bem e para o mau ( a CIA não foi braço direito e esquerdo das ditaduras latino-americanas, com medo da influencia cubana?). Faz alguns anos que Caetano Veloso tomou sua Coca- Cola e sua alegria de cores foi-se embora. Os tempos são outros, sobrou o vazio, das ruas,da esperança, dos projetos. Muitos foram para o exílio,outros ficaram e sofreram na própria carne, seriam mártires?Temos nosso personagem herói, muito magro, de cabelos longos,como Cristo, e vestido todo de vermelho ( cor do sangue,cor do inimigo comunista), ele vaga pela cidade fantasma,dança com sua arquitetura. Uma garota abre cartas, um punhal e uma luva militar,cada um de um lado da linha desenhada com tinta branca da avenida. Seria este seu destino,a luta?Ele o encontra em um ato solitário e simbólico. De frente para praia existe uma estátua, a mesma que aparece alguns takes antes em um jornal onde se lê “monumento ao herói”.Monumentação da História. Quem detém o poder cria imagens oficiais, a Verdade. No caso de uma ditadura militar é preciso se perguntar que herói está sendo construído.Se o herói representa um ideal,que ideal é este a ser perpetuado por uma estátua na orla ? Algo que entra em choque com os ideais do herói do filme. Sozinho ele ataca o monumento de forma quixotesca, mas ao invés de parecer violento, se assemelha mais com um ritual,uma dança em volta da figura branca, a câmera acompanha como observador a luta, em câmera lenta vemos o herói se debater contra o monumento depois contra um guarda que vela pela integridade da figura. Ele é preso e levado por uma viatura, poucos transeuntes assistem a cena. O herói e o anti-herói, quem é quem neste jogo de cenas?
Péo termina seu Esplendor do Martírio com cenas de flores, carregadas pela jovem cartomante, e jogadas em um espaço com papéis escritos. Remetem à sepultura. “For long you live and high you fly, but only if you ride the tide, and balanced on the biggest wave, you race towards a early grave”. Um trecho de Breathe, música do album Dark Side of the Moon, que toca inteira no filme juntamente com outra faixa do mesmo disco, Money. Elas criam o clima do curta, pontuam, a sensação de psicodelia criada pela musica juntamente com imagens em câmera lenta ou que esgarçam o tempo nos dão uma noção de irrealidade em algo muito real, a ditadura. Sabendo que os filmes de super 8mm são registros do cotidiano, atos performáticos, é impossível não ficar incomodado com a prisão do jovem pois não se trata se uma cena fictícia, alguém foi preso de verdade. Neste momento somos confrontados com a realidade e as flores logo a seguir dão um tom melancólico à dança ritualística das imagens e do herói. A ultima cena,uma provocação, escrito em letras de forma ONDE VOCE ESTÁ?
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Os Inquilinos
Filmes novos de Sérgio Bianchi são sempre acontecimentos pois muitos torcem o nariz de saída antes mesmo de sua exibição. Não para menos, o diretor sempre tão polemico em suas obras costuma receber reações extremadas do público e crítica,reações estas iguais ao clima criado por ele em película, tudo é “oito ou oitenta”, não existe meio termo, o que torna toda história fraca e pueril. Os Inquilinos vem sendo saudado justamente como uma mudança de rumo, o encontro de equilíbrio na sua forma violenta de ver os acontecimentos sociais brasileiros, oprimidos e opressores,muito distintos e separados. Entretanto trata-se mais de uma promessa do que um ato concreto de fato. A boa idéia de montar um terror psicológico com forte carga social esbarra no didatismo sempre presente em seus filmes e na visão simplista dos acontecimentos.Em uma casa temos a “família de bem”, o chefe de família honesto e trabalhador com dois filhos, na casa ao lado novos vizinhos, jovens e arruaceiros. O longa se passa no mesmo período quando ocorreram os ataques do PCC em São Paulo, 2006,mas aqui a facção recebe o nome de Partido, dando margem a ambigüidade de seu propósito.Quem estava na capital paulista durante o período sabe o terror infligido pelos criminosos a população, principalmente na periferia onde os ataques foram piores, é este clima de medo e insegurança que Bianchi quer explorar na dualidade entre os vizinhos. A família morre de medo da favela, tão perto fisicamente de seu bairro, invadir de fato suas vidas e os novos moradores vindos de lá tornam esta ameaça mais concreta.
Os Inquilinos caminha bem enquanto o terror de ter ao lado possíveis marginais é apenas uma suspeita. Vemos Walter, o patriarca, definhando cada vez mais por não saber como poderá proteger sua família de um perigo tão eminente,por ser tão impotente frente a realidade violenta que o cerca. O espectador se coloca em seu lugar, a duvida crescente sobre a segurança da casa torna-se a do publico, o medo de não reconhecer o outro,de não identificar quem mora ao lado. Entretanto esta realidade hiper aumentada pelas lacunas deixadas pelo roteiro na primeira metade da trama dissipa-se quando descobrimos que sim, os vizinhos são uma ameaça real. A partir deste momento a boa discussão sobre como a cidade grande e o abismo social não permite o contato com o outro perde sentido e torna-se a crônica de uma tragédia anunciada.
Soma-se os clichês abundantes como a cena em que Walter urina em torno de seu muro enquanto olha para seu cachorro,ou o personagem de Caio Blat como alter-ego do diretor, dando voz as mazelas da periferia.
Bianchi tem uma boa idéia, entretanto é incapaz de deixar de lado a verborragia.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Lula, o filho do Brasil
A biografia de Lula é impressionante,sem duvidas,e o filme reforça principalmente o lado da pobreza,da dificuldade em se fixar em São Paulo,e também a perseverança e coragem de Dona Lindu e seu filho. O personagem é uma coisa só,não existe nenhum conflito,nenhum desvio,nada,é pura bondade,bom mocismo. Um homem correto,bom ouvinte,pacificador,sem ambições a não ser ser trabalhador e servir a sua gente; esta uma parte importante, Lula não quer se envolver com política,não aprova os esquerdistas,nem os de direita,mas aceita o desafio pois existe uma missão maior,ajudar a classe com salários dignos e liberdade de expressão. Lula é predestinado. Ele sim é o herói da nossa gente!Para contar exatamente esta história Barreto tenta ao máximo diminuir o conflito, toda sua vida até o final dos anos 70 se desenrola em pequenos momentos que não se desenvolvem, a cada problema, a cena seguinte já é de superação. A trilha confere um tom grandioso à jornada heróica.Talvez para diminuir o tom panfletário, a narração se concentre bastante em Dona Lindu, na mãe que sozinha criou todos aqueles filhos e lhes deu educação,carater e profissão. A personagem carismática ( forte e perseverante) serve como a consciencia de Lula,ela guia seus passos sabiamente e não gosta de seu filho flertando com sindicatos pois teme por sua vida, o que reforça um dever maior que o chama; não é à toa que o filme termina com sua morte. Trata-se de um rito de passagem, como se agora Lula conseguisse caminhar sozinho e tornar-se de vez o grande herói brasileiro, o filho de sua gente. Assim Barreto transforma Lula em mito ainda em vida.