
domingo, 12 de dezembro de 2010
Machate

terça-feira, 17 de agosto de 2010
Mary and Max
Quem vive sem amigos?ou melhor o que são amigos?A belíssima animação australiana Mary and Max foca na relação um tanto improvável entre uma garotinha australiana e um quarentão americano,os dois são sozinhos e irão estabelecer uma delicada amizade através de cartas. Tudo o que possuem um do outro são suas palavras e os anexos enviados a cada correspondencia.Adam Elliot é o artista multifacetado responsável pelo longa,além de produtor,é o roteirista,diretor e designer dos personagens. Como é colocado no site do filme, diretor e sua equipe tem como referencia alguns fotógrafos para compor a atmosfera da história. Nova York de Max é preta e branca,bem contrastada,fria e triste. A Austrália de Mary é toda em tons de marrom,sua cor favorita, sem vida,apagada. A única cor viva presente em objetos muito específicos é o vermelho,o elo de ligação entre os dois,em raros momentos a paleta de cores de cada um invade a do outro,um pouco de cada mundo que se encontra.
O filme narrado em off começa contando um pouco de cada,de seus gostos,mas ainda é algo impessoal,não aprofunda nos personagens, iremos descobrindo mais da dupla com o estreitamento da amizade,somos cumplices desta jornada, e assim observamos como esta relação os afeta profundamente,os transformando,entretanto a essencia de cada um permanece até o fim,aquilo que os fez continuar a escrever por longos anos.
Num primeiro momento pode parecer um filme melancólico pelo isolamento de ambos,pela dificuldade de adaptação ao mundo exterior,mas ao continuarem o diálogo e se apegarem um ao outro eles lançam base para a consolidação de uma amizade e como tal feita de altos e baixos e que os joga no mundo real,com tudo de bom e de ruim que possa ter.
Para deixar o longa ainda mais interessante o diretor contou com atores renomados para dublagem, Phillip Seymor e Tony Colette dão vida a dupla protagonista lhes conferindo um aprofundamento cenico muito dificil de se ver em animação.
Mary and Max faz qualquer um sair do cinema pensando seriamente em escrever uma carta para o primeiro estranho que lhe cruzar o caminho.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Nosferatu no Brasil
Hélio Oiticica e Ivan Cardoso tinham a idéia de fazer cinema de terror no Brasil, trazer o trash,o underground para a estética brasilis. Cardoso realiza este desejo através de seu filme super oitista, Nosferatu no Brasil, de 1971. Torquato Neto interpreta o famoso vampiro nesta versão pop e divertida.domingo, 21 de fevereiro de 2010
500 Dia com Ela
No começo do filme o narrador diz que não se trata de uma história de amor. Bobagem. Não se trata de uma história de amor hollywoodiana, cheia de cliches,personagens perfeitos,happy end e trilha melosa. Neste romance indie temos dois personagens longe do ideal, um relacionamento fracassado e uma trilha arrasadora cheia de melancolia com The Smiths e os onipresentes,fofos porém muito cruéis Belle & Sebastian.O filme conta o namoro que deu errado entre Tom, um garoto sensível, e Summer, uma garota que não gosta muito de se apaixonar. Quando eles se conhecem no trabalho podemos perceber que trata-se de uma tragédia anunciada, numa inversão de papéis, ele se apaixona perdidamente pela garota que parce ideal,pois compartilha os mesmos "gostos estranhos" - como sua irmã caçula diz- que ele, já ela só quer curtir, mas o garoto permanece com sua amada,talvez esperando o dia em que ela visse que ele era seu principe encantado.
O longa não segue uma narrativa linear, indo e vindo nestes 500 dias, nos mostrando Tom depressivo com o término intercalando com cenas do romance. É bem interessante como o diretor resolve cenicamente o clima do personagem através da luz e do figurino. Summer, está invariavelmente de azul ( blue em ingles pode ser triste) e Tom usa cores mais pastéis, quando leva o fora começa a usar roupas cada vez mais pesadas, ou tons ocres. A fotografia nos dias bons é sempre luminosa,ou amarela verão (summer) e vai esmaindo junto com o personagem.
A pessoa ideal muitas vezes pode não corresponder a realidade.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Onde vivem os monstros

O Oscar esnobou Onde vivem os monstros,uma pena porque é um belo filme ( não tão bom quanto os dois anteriores de Spike Jonze, Quero ser John Malcovich e Adaptação,mas muito bom).
Jonze tinha um desafio e tanto pela frente, transformar um livro infantil de 36 páginas em um longa...não infantil! E conseguiu. Alguns críticos discordam e acham o tom da fita ingenuo. Entretanto a história fala de inocencia e perda desta, é o mundo visto sob a ótica de um garotinho de oito anos.
Max é um menino solitário, sua mãe, divorciada, trabalha muito e sua irmã pré-adolescente não tem muita paciencia para suas brincadeiras. Ele resolve fugir , acaba numa ilha habitada por monstros e é coroado rei por estes. Ser soberano de um lugar implica em responsabilidades, em criar um ambiente perfeito para todos e Max vai descobrir que isto não é fácil.
Jonze através da belíssima fotografia imprime um tom poético ao filme, cria a idéia de que as coisas podem ser mais descomplicadas do que achamos, mas também através de planos frenéticos com camera na mão nos tira desse local idílico para nos mostrar o mundo frenético de um garoto de oito anos que quer tudo ao mesmo tempo agora e não tem noção das consequencias de seus atos. Assim o diretor cria um equilíbrio, que ao longo da história vemos o quão é dificil de manter. A incrível trilha de Karen O dos Yeah! Yeah! Yeah! vem para pontuar este clima, hora mais calma e mais instrumental,hora mais rock com seus famosos gritos.
Saímos do cinema com a impressão que tudo pode ser mais simples,mas também que mesmo adultos somos capazes de infantilidades que atingem os outros.