sábado, 7 de agosto de 2010

A Prova de Morte

Finalmente chega às telas brasileiras A Prova de Morte,filme de 2007 de Quentin Tarantino,que faz parte de um projeto maior, Grindihouse, entre o diretor americano e Robert Rodrigues. Os dois amigos prestam uma homenagem aos filmes de horror B da década de 70, cada um dirigiu uma parte e infelizmente estas foram lançadas como independentes uma da outra mundialmente,o que criou este hiato entre o filme de Rodrigues lançado no país faz tempo e o de Tarantino.
Em A Prova de Morte o diretor experimenta livremente sua linguagem cinematográfica,seus traços estão lá : o underground, os rincões norte-americanos,a cultura negra,o pop, a violencia, a ironia, a musica,os diálogos ácidos e banais,mas todos potencializados. A edição do longa,ao invés da agilidade pop de seus outros filmes, é cuidadosamente pensada para expandir o tempo,alargá-lo de tal forma que ficamos ansiosos e inquietos procurando onde entrará o sangue,a violencia. Tarantino sabe disso,ele brinca com nossas espectativas e quando a ação esperada acontece ela é rápida e impactante como se o fosse no momento real. Todos os enquadramentos e tempos são pensados como os movimentos de um predador a espreita de sua presa, ele dá-lhe tempo,sem pressa a cerca,se diverte com a situação. Somos colocados na posição de Stuntman Mike,papel de Kurt Russel, o serial killer que mata suas presas,sempre mulheres,com uma arma poderosa,seu carro envenenado.
A Prova de Morte é ,apesar deste jogo de captura, um filme extremamente rápido,quando nos damos conta ele já terminou e estamos contaminados pela adrenalina da caça. Um ótimo exercício cinematográfico de Tarantino,que assina também a direção de fotografia.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dzi Croquettes

O documentário parte da história pessoal da diretora Tatiana Issa,filha de um cenógrafo que acompanhou os Dzi Croquettes no final dos anos 70,para contar a história da irreverente trupe vanguardista brasileira. A partir de registro em super 8 de época e entrevistas com os próprios integrantes e pessoas que conviveram com o grupo durante sua existencia Tatiana devolve aos holofotes os Dzi Croquettes. A partir de sua narração em off inicial na qual explica que para ela, muito pequena, aqueles homens pintados e purpurinados eram palhacinhos ela desenvolve seu documentário. Ou seja existe neles ingenuidade,pureza, empatia, o lado dubio da máscara, artistas enfim a procura da criação,da vida, da alegria através do riso,do grotesco,do incomodo.
Uma época é resgatada, a partir das entrevistas com quem viveu os efervecentes e dificeis anos 70 a diretora passa a limpo um período da história brasileira, o contexto político e cultural do país é explicado as vezes de maneira didática porém nunca enfadonha pois tratam-se de depoimentos vivos e cheios de carga emocional de testemunhas daqueles anos. Para as novas gerações que não conhecem os Dzi Croquettes é como se eles nascessem na tela,naquele momento,um tempo passado,mas que consegue estar vivo na película.
A visceralidade do grupo é sentida no publico e conseguimos compreender o impacto de proporções enormes que eles causaram na cena brasileira,no comportamento da sociedade,entretanto estupefatos nos perguntamos como aqueles palhacinhos underground que encantaram de Elis Regina a Josephine Baker,passando por Lisa Minelli,puderam ficar esquecidos na memória brasileira por tanto tempo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Le Petit Nicolas



Basedo nas histórias de mesmo nome, de autoria de René Gosciny ( mesmo autor de Asterix) e desenhos de Jean Jacques Sampé, o filme conta as aventuras de Nicolas e seus amigos na França da década de 50.

O longa se assemelha a Amelie Poulin pela fotografia vibrante e pelo tom da narrativa que cria uma atmosfera onírica,mas ultrapassa o filme conterraneo pelos tipos criados, existe algo de felliniano nos personagens, engraçados, desenhos materializados,às vezes exagerados. Dentro da sala de aula cada um desempenha um papel,o nerd,o desatento,o rico mimado,o gordinho,todos muito caracterizados,já o próprio Nicolas é um garoto comum,tranquilo,sem qualquer caracteristica muito marcada. Ele é o narrador da história, sua posição mais naturalista em relação aos demais pode ser vista como memórias de sua infancia,nós tendemos a nos ver de maneira neutra e aumentamos as características dos que estão em nosso entorno. Assistindo ao filme quem não consegue identificar em seus próprios arquivos muitos daqueles tipos?

A realidade infantil é mágica, coisas muito banais para adultos causam grande espanto e maravilhamento por parte dos pequenos,nada é impossível. Seria mais interessante utilizar a expressão realidade expandida, capaz de enxergar as pequenas belezas do mundo, do que fantasia para se referir ao universo infantil,pois nada é inventado para eles,tudo é muito real.Uma das cenas que explora de maneira muito divertida este universo é quando Nicolas e seus amigos tem uma idéia brilhante para conseguir um dinheiro que necessitam. Um deles aparece com um gibi com a primeira história de Asterix, a pequena aldeia dos gauleses resiste aos numerosos e poderosos romanos graças à poção mágica de Panoramix.Eles retiram o elemento de ficção dos livros e o transportam para o mundo real,criam eles proprios a famosa poção e a vendem; para mostrar que funciona elegem um menino franzino como exemplo,ele bebe o liquido e os garotos pedem para que levante a combi abandonada alguns metros dele,o que o garotinho e seus amigos não sabem é que Nicolas e seu grupo colocaram muitos pesos pendurados do outro lado do carro,não visivel para platéia,qualquer empurrão destabilizaria o automóvel e ele tombaria,é exatamente o que acontece. O feito extraordinário faz com que muitas crianças procurem o bando para adquirir também sua força. Os que tomam a poção tem certeza que são tão invenciveis quanto Axterix e sua aldeia.

Leve,ironico e inteligente Le Petit Nicolas é um filme que serve bem a todas as idades,uma boa alternativa à medíocridade que muitas vezes as crianças são expostas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Guerra ao Terror

Muito se falou de Guerra ao Terror quando de filme sem nenhuma importancia,tendo sido lançado diretamente em dvd aqui no Brasil, se tornou o longa do momento com 9 indicações ao Oscar e levou 6 estatuetas para casa batendo o favorito Avatar. Isto significa que o filme é melhor do que seus concorrentes ou na verdade os candidatos eram fracos e pode ter sido uma opção política,como foi a Palma de Ouro de Michael Moore?Assistindo ao longa, a segunda opção parece ter mais sentido. Trata-se de um bom filme de guerra,mas não vai além disto.
A camera digital na mão lhe confere um ar de documentário,não quer como os caros longas de guerra espetacularizar o conflito,mas sim mostrar o lado humano dos soldados que cumprem sua missão. Se deter naqueles que vão para o campo de batalha não é nada novo, temos pelo menos meia duzia de filmes sobre Vietnã que se detém sobre este assunto,o próprio conflito no Iraque serviu para alguns longas com este tema como Soldado Anonimo,mas ao contrário dos desarmadores de bombas que enfrentam uma dura rotina dia a dia, estes ficaram um uma espera eterna pelo combate. Séries de tv norte-americanas também trataram de maneira mais profunda ou superficial a dureza de ser um combatente,os efeitos psicológicos provocados naqueles que tem suas vidas ameaçadas a cada segundo e como é a adaptação à vida comum. Trata-se de um assunto polemico,com consequencias devastadoras para a sociedade norte-americana e é legitimo que queiram esgotar o assunto.
O roteiro tem seu ponto forte em deixar explícito a tensão constante daqueles soldados que são mandados para o outro lado do Oceano em nome de uma democracia,mas são visto como inimigos por toda a população e pior, veem naqueles que devem proteger o inimigo em potencial. Estão no Iraque pelos Iraquianos,mas tem medo,não exergam particularidades,apenas generalizam. Qualquer movimento em falso pode custar a vida. Uma sequencia que demonstra a complexa relação entre os dois lados é quando chamados para desativar uma bomba,os tres soldados levam junto um coronel médico que não está acostumado ao campo de batalha, enquanto os subalternos entram no prédio tensos para desativar mais bombas,a alta patente fica do lado de fora conversando cordialmente com os nativos e pede para que eles saiam do raio de ação do exército pois pode ser perigoso,sua atitude é oposta a de todos os soldados ao longo do filme que já ameaçam com suas metralhadoras qualquer um que se aproxime, sua recompensa em tratar bem os iraquianos é explodir devido a uma bomba caseira deixada pelos homens. Isolada a cena pode parecer propaganda pró ocupação, todos os iraquianos são maus,mas dentro do contexto narrativo deixa toda a situação mais embolada.
O longa perde pontos justamente por causa do personagem principal, o típico "white trash",sem lugar na sociedade americana, é a versão século XXI dos cowboys,durão, pronto para briga e "gente boa",vive da adrenalina e como não tem nada a perder é o soldado ideal para uma guerra.
Sim trata-se de uma crítica contudente ao "american way of life",o sol não é para todos e são estes que por não terem nada a perder arriscarão suas vidas. Entretanto ao final do filme o discurso politico vai ganhando mais peso do que o cinematográfico e acaba por diminuir sua força.


sexta-feira, 11 de junho de 2010

A mulher de todos

Um prenuncio da porno-chanchada A Mulher de Todos é o segundo longa de Sganzerla. Acompanhamos as aventuras sexuais e Angela Carne e Osso. Não existe um fio narrativo condutor, os amantes perpassam em sua vida e ela como uma boa vamp devora a todos.
Um filme que beira ao non-sense,extremamente viceral.
Sganzerla continua utilizando-se da narração em off para ponturar o filme. Experimenta a fotografia p&b, colore o filme de vermelho e azul como os antigos filmes mudos.
Uma crítica ao individualismo extremo da sociedade "boçal" daquele começo dos anos 70, ao hedonismo exarcebado, como o narrador coloca só existe liberdade individual se existe a coletiva.

Documentário

Primeiro curta de Sganzerla, Documentário é uma homenagem ao cinema. Dois amigos flanam pelo centro de São Paulo sem saber o que fazer,falando de musica,quadrinhos e principalmente cinema.
Se Sganzerla dará um pouco mais tarde uma entrevista dizendo ser preciso destruir Godard neste filme o cineasta frances é referencia,no flanar da camera, no consumo de notícias e cultura pop pelos dois personagens amigos,no carater predominate discursivo do curta.
Um registro da metade da década de 60 brasileira,da juventude um pouco perdida que ve a revolução como maneira de evitar o tédio,que não ve o cinema como manifesto político ( um dos personagens diz que o cinema italiano já era) mas uma maneira de se expressar,não importa se com recursos ou não.
O que conta conclui um dos garotos é o que está na tela.

Ocupação Rogério Sganzerla

Desde o dia 8 de junho o Itau Cultural apresenta a Ocupação Rogério Sganzerla com exposição,filmes,debates e conteúdo online,para saber mais basta entrar no hotsite do instituto.
O Cenas Escolhidas fará um breve relato dos filmes exibidos na mostra.