Atividade Paranormal está sendo anunciado como o filme mais assutador dos ultimos tempos muito antes mesmo de seu lançamento. A Paramont investiu pesado em divulgação, Steve Spielberg entrou como produtor executivo neste longa feito com modestos recursos,entretanto o resultado é decepcionante.
Há dez anos atrás entrava em cartaz A Bruxa de Blair, toda a estratégia de marketing foi anunciar na internet, que naquela época não cobria nem um terço dos locais que cobre hoje, e na mídia convencional que tratavam-se de gravações reais,o que se veria no cinema era o testemunho verdadeiro de uma tragédia nos EUA. Três jovens vão acampar e documentam a viagem com cameras amadoras,eles se perdem e coisas muito estranhas acontecem sem que nada apareça de concreto na tela a não ser o medo e barulhos,por fim depois de um dos garotos ter desaparecido,os ultimos dois encontram sua sorte em uma cabana abandonada e a ultima imagem que temos é a da camera caída no chão focalizando uma parede cheia de marcas de mãos de crianças.Foi um sucesso instantâneo e mostrou que uma idéia na cabeça e uma câmera na mão também servem para filmes de terror e que o marketing de guerrilha funciona muito.
Voltemos à 2009 e Atividade Paranormal. O longa parte do mesmo pincípio de A Bruxa de Blair,trata-se de uma história verídica gravada pelo casal vítima em sua casa. Existe apenas uma câmera manipulada pelos atores ou presa a um tripé no quarto. A protagonista é "perseguida" esporadicamente por algum tipo de entidade desde criança,como agora as manifestações voltaram seu namorado resolve comprar uma câmera e registrar tudo o que acontece na casa,principalmente enquanto dormem. Como no longa de dez anos atrás o diretor parte muito da sugestão,não vemos o que a perturba,ouvimos barulhos,a luz acende,a televisão liga,no máximo temos uma sombra que aparece rapidamente,mas ao contrário do precursor falta ritmo e os noventa minutos parecem mais, pois se em A Bruxa existia uma lenda e uma floresta, motes que por si só já assutam e que possibilitam movimentação, aqui temos uma casa que não possibilita muita ação e uma história capenga que em muitos momentos não se sustenta. A maior parte da narrativa se passa à noite enquanto dormem,então o que temos é uma grande angular pegando o quarto inteiro com os dois personagens dormindo e a visão do corredor, derrepente algo se manifesta,mas o timing não é tão certeiro a ponto de sempre nos assustar,às vezes chega a ser previsível e os intervalos são muito longos entre uma ação e outra. Soma-se a tudo isto o fato de hoje em dia com a quantidade de informações que temos acesso ninguém cair no truque de que se trata de uma história real e assim suas possíveis falhas serem encobertas pelo voyerismo macabro. Os ultimos vinte minutos são bem melhores que o filme até então, existe agilidade, a história desenrola melhor, atinge o clímax e vai ficando assustadora, se tivesse mantido o ritmo desde o começo com certeza os espectadores quando voltassem para casa iam pensar duas vezes antes de se deitar.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
Britney Murphy
De patinho feio à mulher estonteante,este foi o caminho hollywwodiano de Britney Murphy. Infelizmente com a transformação vei também a mudança de casting e de atriz promissora passou para filmes sem importancia e bobos.
Em Garota Interrompida a atriz não deve nada às duas colegas bem mais famosas e badaladas Winona Ryder e Angelina Jolie. Britney no papel da bulêmica Dayse está perfeita e cria um ponto de tensão para as personagens de Jolie e Ryder. A sequencia em que as duas "amigas" fugitivas do sanatório pedem abrigo à garota recém-reabilitada é o ponto alto do longa. Vemos o ódio de Angelina Jolie,solitária e que tenta ir contra todas as convenções, direcionado à garota que tenta desesperadamente viver o sonho americano da classe média puritana, em sua nova casa,com seus móveis bonitos,sua vida "perfeita" e entre as duas Winona sem muito bem saber para que lado pender. Ela ri de Dayse pela farsa encenada por esta,mas se assusta pela virulencia de Jolie quando esta escancara a encenação,revelando a tragédia da garota bulêmica,vítima de abuso sexual por seu próprio pai. Britney constrói a tragetória da personagem de maneira firme e certeira. Quando está no sanatório,é a garota mimada e irritante,porém com um lado patético que disperta no publico se não a sensação de pena,a percepção de que algo bem errado acontece . Na virada da personagem, a temos em casa,pior,de menina energética e birrenta ela passa a um simulacro de dona de casa norte-americana,alheia á tudo, com um olhar que vaga pelas coisas e pelas pessoas. Nada vai bem e a personagem de Angelina Jolie só vem para acender a faísca que precisava para uma tragédia anunciada.A partir do suicídio de Dayse o filme atinge seu clímax.
Isto foi em 1999, nesta década Britney abandona os quilinhos a mais,torna-se loira,aposenta o lado esquisitona e parte para comédias romanticas bem ruins. Uma pena.
Morta hoje aos 32 anos Murphy tinha talento de sobra para mostrar à Hollywood.
Em Garota Interrompida a atriz não deve nada às duas colegas bem mais famosas e badaladas Winona Ryder e Angelina Jolie. Britney no papel da bulêmica Dayse está perfeita e cria um ponto de tensão para as personagens de Jolie e Ryder. A sequencia em que as duas "amigas" fugitivas do sanatório pedem abrigo à garota recém-reabilitada é o ponto alto do longa. Vemos o ódio de Angelina Jolie,solitária e que tenta ir contra todas as convenções, direcionado à garota que tenta desesperadamente viver o sonho americano da classe média puritana, em sua nova casa,com seus móveis bonitos,sua vida "perfeita" e entre as duas Winona sem muito bem saber para que lado pender. Ela ri de Dayse pela farsa encenada por esta,mas se assusta pela virulencia de Jolie quando esta escancara a encenação,revelando a tragédia da garota bulêmica,vítima de abuso sexual por seu próprio pai. Britney constrói a tragetória da personagem de maneira firme e certeira. Quando está no sanatório,é a garota mimada e irritante,porém com um lado patético que disperta no publico se não a sensação de pena,a percepção de que algo bem errado acontece . Na virada da personagem, a temos em casa,pior,de menina energética e birrenta ela passa a um simulacro de dona de casa norte-americana,alheia á tudo, com um olhar que vaga pelas coisas e pelas pessoas. Nada vai bem e a personagem de Angelina Jolie só vem para acender a faísca que precisava para uma tragédia anunciada.A partir do suicídio de Dayse o filme atinge seu clímax.
Isto foi em 1999, nesta década Britney abandona os quilinhos a mais,torna-se loira,aposenta o lado esquisitona e parte para comédias romanticas bem ruins. Uma pena.
Morta hoje aos 32 anos Murphy tinha talento de sobra para mostrar à Hollywood.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Cavaleiro das Trevas
Post de 01/08/08 do meu outro blog. Estava relendo os escritos e resolvi compartilhar esta resenha nada ortodoxa aqui.
Quando era criança eu gostava de brincadeiras de menino,ou seja carrinhos e bonequinhos de super-heróis,na época a Liga da Justiça era um dos desenhos mais legais que passava na tv,o Batman e o Robin eram os coadjuvantes, o grande star era o super-homem,eu gostava do homem de aço mas não tinha o bonequinho dele em compensação tinha o do homem morcego e garoto prodígio,mas essa dupla era meio chata principalmente o garoto com o seu "macacos me mordam Batman",mas o seus vilões..ah estes eram imbatíveis!!Eu tinha os bonequinhos do Pinguim e do Coringa, adora,achava o máximo aquelas duas figuras estranhas e perversas.Vieram os filmes,não gostei, nem dos Tim Burton,mas amei os vilões.O Coringa de Jack e o Pinguim de De Vitto eram os vilões mais legais de todos os tempos,faziam parte claro do mundo sombrio e expressionista de Burton, havia humor neles,sadismo,mas eram como meus bonequinhos:estranhos,de aspecto diabólico,mas nunca duvidei nem por um segundo que o morcegão os derrotaria!Mas aí veio O CAvaleiro das Trevas...
Eu duvidei por todo o filme que Batman derrotaria o Coringa,nenhum,absolutamente nenhum personagem estava seguro,e quando voce acha que até os good guys podem bater as botas e toda cidade de Gottam pode explodir é se segurar na cadeira, roer as unhas e sentir seu coração bater forte muito forte,e é ótimo!Qulaquer filme de super-herói voce espera que no final tudo aconteça conforme o planejado:o mocinho vai apanhar,a mocinha vai ser raptada pelo vilão,mas no final a cidade é salva, todos ficam bem e a mocinha beija o mocinho no final.Entretanto quando existe um psicótico que nas palavras do sábio Alfred quer ver é mais o circo pegar fogo,não existe regra que possa ser aplicada.Para tentar vence-lo é preciso queimar tudo,é preciso se tornar o anti-herói,é preciso se tornar em certo sentido o proprio Coringa!
Por sinal esse Coringa de Heath Leager me pareceu a versão blockbuster da dupla de Funny Games,tão perverso e anárquico quanto,mas feito dentro da industria Hollywoodiana,ou seja a própria lógica do filme não permite arroubos tão cruéis.
Grande filme,mas me pergunto o que será do próximo Batman sem a sua metade?
Quando era criança eu gostava de brincadeiras de menino,ou seja carrinhos e bonequinhos de super-heróis,na época a Liga da Justiça era um dos desenhos mais legais que passava na tv,o Batman e o Robin eram os coadjuvantes, o grande star era o super-homem,eu gostava do homem de aço mas não tinha o bonequinho dele em compensação tinha o do homem morcego e garoto prodígio,mas essa dupla era meio chata principalmente o garoto com o seu "macacos me mordam Batman",mas o seus vilões..ah estes eram imbatíveis!!Eu tinha os bonequinhos do Pinguim e do Coringa, adora,achava o máximo aquelas duas figuras estranhas e perversas.Vieram os filmes,não gostei, nem dos Tim Burton,mas amei os vilões.O Coringa de Jack e o Pinguim de De Vitto eram os vilões mais legais de todos os tempos,faziam parte claro do mundo sombrio e expressionista de Burton, havia humor neles,sadismo,mas eram como meus bonequinhos:estranhos,de aspecto diabólico,mas nunca duvidei nem por um segundo que o morcegão os derrotaria!Mas aí veio O CAvaleiro das Trevas...
Eu duvidei por todo o filme que Batman derrotaria o Coringa,nenhum,absolutamente nenhum personagem estava seguro,e quando voce acha que até os good guys podem bater as botas e toda cidade de Gottam pode explodir é se segurar na cadeira, roer as unhas e sentir seu coração bater forte muito forte,e é ótimo!Qulaquer filme de super-herói voce espera que no final tudo aconteça conforme o planejado:o mocinho vai apanhar,a mocinha vai ser raptada pelo vilão,mas no final a cidade é salva, todos ficam bem e a mocinha beija o mocinho no final.Entretanto quando existe um psicótico que nas palavras do sábio Alfred quer ver é mais o circo pegar fogo,não existe regra que possa ser aplicada.Para tentar vence-lo é preciso queimar tudo,é preciso se tornar o anti-herói,é preciso se tornar em certo sentido o proprio Coringa!
Por sinal esse Coringa de Heath Leager me pareceu a versão blockbuster da dupla de Funny Games,tão perverso e anárquico quanto,mas feito dentro da industria Hollywoodiana,ou seja a própria lógica do filme não permite arroubos tão cruéis.
Grande filme,mas me pergunto o que será do próximo Batman sem a sua metade?
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Abraços Partidos
Almodovar faz em Abraços Partidos uma declaração de amor ao cinema. A trama gira em torno do meio cinematográfico, as personagens principais são um diretor,uma atriz,uma diretora de produção,um aspirante a roteirista,um documentarista amador e um produtor. Seus destinos se cruzam devido a um filme feito 14 anos antes de quando se passa a ação. A metalinguagem é constante por existir até dois filmes dentro de Abraços Partidos; se fala de cinema o tempo todo, e os generos se misturam durante os 120 minutos. Nos primeiros 40 minutos as personagens são apresentadas,as relações são estabelecidas muito concretamente para que o salto no tempo e os diversos níveis de narração não confundam o espectador,entretanto pelo menos tres generos apontam neste começo,deixando quem assiste se perguntando se o que se passa na tela é o "filme dentro do filme" ou não. Nos primeiros minutos trata-se de um drama,para logo em seguida guinar para um suspense,através dos diálogos que despertam a duvida de quem é determinada personagem,o que ela quer ali, e também através da trilha sonora que perfeitamente poderia ter saído de um filme de Hitchcok por seu clímax; para culminar no melodrama um pouco caricato. Estes elementos provocam a duvida e deixam em suspenso o espectador até que o "filme dentro do filme" comece a ser rodado e assim entendemos que teremos ao longo da película vários generos caminhando lado à lado.
Apesar de Almodóvar abusar de suas marcas registradas como cores fortes e grafismo,o resultado é muito mais sóbrio do que seu clima passional latino costumaz. As atuações são mais contidas e a direção aponta para um caminho mais introspectivo do que de grandes arroubos através da história dos personagens e como eles lidam com estas. Não é dado um grande espaço de tempo para que cada ação se desenrole e culmine cada uma num grande clímax explosivo. O tempo é enxuto,seco. O tempo é suspenso,mas rapidamente já se transforma em outra ação,e as consequencias são logos vistas, como se não houvesse tempo para perder.Talvez seja assim que o diretor consiga com que os três generos caminhem juntos. Nos envolvemos na história extraconjulgal da atriz,interpretada por Penélope Cruz, com o diretor, o drama deste relação,ao mesmo tempo existe o suspense do que terá acontecido à ela no tempo presente,uma vez que ela é totalmente ausente neste momento,teria sido assassinada pelo marido?Teria o enteado que filma um documentário sobre os bastidores algo haver na história?E o melodrama que marca o tom do longa, que por mais sóbrio que seja, ainda é um filme de Almodóvar, e ele parece brincar com o genero colocando cenas que a primeira vista parecem fora de lugar,como confissões bastante explicativas, ou revelações seguidas de musica de suspense,que acabam por criar um aspecto até cômico.
As mulheres para variar marcam presença em Abraços Partidos,além da ação girar em torno de Penélope Cruz,outras atrizes do diretor aparecem em pontas. Também vemos Katherine Hepburn na tela de tv, Jeanne Moreau é mencionada por causa de Ascensor para o Cadafalso ( suspense com um triangulo amoroso!), Penélope aparece meio Audrey Hepburn,meio Marlyn.
O grande trunfo do filme são fotografia e edição,impecáveis. Talvez seja o filme estéticamente mais bem cuidado de Almodóvar,com planos belíssimos e muito poéticos, e edição muito cuidadosa que flui a narrativa de forma muito organica, e cria situações. Não é à toa que o ponto de mutação dos personagens se dá por causa da montagem do filme de "mentira". Como a partir de todas as peças do quebra-cabeça montar algo coeso, que honre a história que está sendo contada?
Almodóvar parece querer nos dizer que cinema é imagem em movimento,narrativas,simples assim!
Apesar de Almodóvar abusar de suas marcas registradas como cores fortes e grafismo,o resultado é muito mais sóbrio do que seu clima passional latino costumaz. As atuações são mais contidas e a direção aponta para um caminho mais introspectivo do que de grandes arroubos através da história dos personagens e como eles lidam com estas. Não é dado um grande espaço de tempo para que cada ação se desenrole e culmine cada uma num grande clímax explosivo. O tempo é enxuto,seco. O tempo é suspenso,mas rapidamente já se transforma em outra ação,e as consequencias são logos vistas, como se não houvesse tempo para perder.Talvez seja assim que o diretor consiga com que os três generos caminhem juntos. Nos envolvemos na história extraconjulgal da atriz,interpretada por Penélope Cruz, com o diretor, o drama deste relação,ao mesmo tempo existe o suspense do que terá acontecido à ela no tempo presente,uma vez que ela é totalmente ausente neste momento,teria sido assassinada pelo marido?Teria o enteado que filma um documentário sobre os bastidores algo haver na história?E o melodrama que marca o tom do longa, que por mais sóbrio que seja, ainda é um filme de Almodóvar, e ele parece brincar com o genero colocando cenas que a primeira vista parecem fora de lugar,como confissões bastante explicativas, ou revelações seguidas de musica de suspense,que acabam por criar um aspecto até cômico.
As mulheres para variar marcam presença em Abraços Partidos,além da ação girar em torno de Penélope Cruz,outras atrizes do diretor aparecem em pontas. Também vemos Katherine Hepburn na tela de tv, Jeanne Moreau é mencionada por causa de Ascensor para o Cadafalso ( suspense com um triangulo amoroso!), Penélope aparece meio Audrey Hepburn,meio Marlyn.
O grande trunfo do filme são fotografia e edição,impecáveis. Talvez seja o filme estéticamente mais bem cuidado de Almodóvar,com planos belíssimos e muito poéticos, e edição muito cuidadosa que flui a narrativa de forma muito organica, e cria situações. Não é à toa que o ponto de mutação dos personagens se dá por causa da montagem do filme de "mentira". Como a partir de todas as peças do quebra-cabeça montar algo coeso, que honre a história que está sendo contada?
Almodóvar parece querer nos dizer que cinema é imagem em movimento,narrativas,simples assim!
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Colin
Uma camera na mão,uma idéia na cabeça,muito sangue, 70 dólares e mais de cem figurantes. O resultado é Colin,filme de terror,mais precisamente de zumbis que vem para transformar o genero.Geralmente estes longas ou flertam com o trash,ou com a comédia,não raro com os dois. O filme ingles tem trash,tem cenas comicas,mas é um drama. Acompanhamos a saga do anti-herói, Colin,após ter sido mordido e se tornado um morto-vivo. Ele vaga por Londres e o seguimos. O longa tem 97 minutos,pouquissimos diálogos, e sequencias de silencio e vazio profundos. O personagem parece flanar pela cidade abandonada por humanos e tomada por zumbis. Os planos são em sua maioria planos gerais que o mostram andando sozinho durante muito tempo,nos dando a sensaçao de abandono e desesperança,não há motivação,ou closes que o humanizam, os pés caminhando torto e arrastado,as mãos deformadas,como se fosse alguem com limitações.Tomadas da arquitetura ou do tempo, a propria mudança temporal gradual.
Em seu caminho Colin se depara com humanos que lutam por sua sobrevivencia,neste momento ele se torna de fato o que é : um zumbi. Ou seja, o instinto de matar e comer suas vítimas é o que o move,até que algo chame sua atençao.Neste momento o diretor presta uma homagem ao classico cinema de terror,pois as cenas não deixam a desejar nada ao mais sanguinário exemplar do genero,muito sangue e víceras para todos os lado.Entretanto, não existem mocinhos,nem vilões, o garoto morto-vivo e outros apenas fazem aquilo porque é o que deveriam fazer,a maquiagem é quase inexistente,o que lhes confere uma afeição assustadoramente humana ( tao mais fácil seria se eles fossem monstros horrendos...) e os humanos de fato não são muito melhores que os mortos. Estes não possuem consciencia do que fazem, apenas agem,já aqueles possuem o que é de mais caro a raça humana,o raciocínio, e cometem barbaridades enquanto o mundo se aproxima do fim. Ficando a pergunta de quem é realmente o perigo.
Em sua jornada o espectador é convidado a reflexao sobre sua própria condição e sentido ou nao de nossa própria existencia,afinal Colin está fadado a eternidade a marchar sem rumo alheio a toda vida que o cerca ? A consciencia é algo libertador ou é capaz de nos tornar tão piores do que zumbis ?
Em seu caminho Colin se depara com humanos que lutam por sua sobrevivencia,neste momento ele se torna de fato o que é : um zumbi. Ou seja, o instinto de matar e comer suas vítimas é o que o move,até que algo chame sua atençao.Neste momento o diretor presta uma homagem ao classico cinema de terror,pois as cenas não deixam a desejar nada ao mais sanguinário exemplar do genero,muito sangue e víceras para todos os lado.Entretanto, não existem mocinhos,nem vilões, o garoto morto-vivo e outros apenas fazem aquilo porque é o que deveriam fazer,a maquiagem é quase inexistente,o que lhes confere uma afeição assustadoramente humana ( tao mais fácil seria se eles fossem monstros horrendos...) e os humanos de fato não são muito melhores que os mortos. Estes não possuem consciencia do que fazem, apenas agem,já aqueles possuem o que é de mais caro a raça humana,o raciocínio, e cometem barbaridades enquanto o mundo se aproxima do fim. Ficando a pergunta de quem é realmente o perigo.
Em sua jornada o espectador é convidado a reflexao sobre sua própria condição e sentido ou nao de nossa própria existencia,afinal Colin está fadado a eternidade a marchar sem rumo alheio a toda vida que o cerca ? A consciencia é algo libertador ou é capaz de nos tornar tão piores do que zumbis ?
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
33 MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA
domingo, 18 de outubro de 2009
Bastardos Inglórios
Em Bastardos Inglórios Tarantino salvou o filme histórico de si mesmo. Explico,nenhum filme reconta a História,ele pode servir como ótimo documento histórico da sociedade em qual foi feito,mas querer através de um longa jogar luz sobre acontecimentos passados não é possivel. É ficção e como tal,é possível colocar um personagem que nunca existiu,criar uma trama mais de ação,de mais romance, e no caso de Tarantino mais comédia,sangue e por que não mudar a História?Sim, o cineasta tem a coragem de pegar o evento histórico do século passado mais delicado e exaustivamente debatido para criar sua própria poética.
Trata-se de um longa que homenageia o cinema ficcional,a brincadeira de se criar realidades,sem o compromisso com o real. Tudo gira em torno do universo cinematográfico: uma atriz espiã,um comandante crítico de cinema alemão,Gobbels e o cinema de propaganda e o próprio cinema,palco onde as tensões se desenrolarão no final, o local redentor , são alguns elementos da trama.
Em um filme histórico sabemos qual o evento a ser narrado de antemão. Para ater-me apenas na temática nazista cito A lista de Schindler, baseado em fatos reais, A Queda, baseado no depoimento da própria secretária, O Pianista, autobiografia do personagem principal, Operação Valquíria,baseado em fatos reais. Em Bastardos Inglórios,este evento não existe.Tarantino cria um esquadrão de meia duzia de soldados judeus norte-americanos,mais um alemão que odeia o atual governo comandados por um comandante gentio caipira que tem por missão matar o maior numero de nazistas possíveis. Soma-se ao enredo uma judia sobrevivente que vive com identidade falsa em Paris que desperta o interesse romantico de um herói de guerra alemão.A partir destes elementos o cineasta cria seu enredo.
É interessante notar a dicotomia existente entre a representação dos alemães e a dos norte-americanos. Nada que seja muito diferente de Sobrevivendo ao Inferno,filme passado em um campo de concentração para oficiais do exército aliado,onde os ingleses são fleumáticos,os alemães arrogantes e o único norte-americano é um homem simples, com caracteristicas do ideal de cidadão americano,baseball,sem cerimonias,calças jeans e com gosto pelo perigo. Em Bastardos temos o mesmo padrão e mais,Tarantino introduz a herança indígena,o elemento "bárbaro", o pelotão tem por costume escalpar suas vítimas,ordens dada por seu capitão rustico interpretado por Brad Pitt que no filme que o lançou ao estrelato,Lendas da Paixão,era justamente o caucasiano com alma de índio,selvagem,que tentava ter seu lugar na sociedade branca.Já os alemães são brutos,mas com certa afetação. Lobos em pele de cordeiros passíveis de gerar terror no publico,mas também deboche. E é preciso notar a caracterização dos judeus no longa. Se nos filmes eles aparecem como aqueles dignos de pena e indefesos ante a crueldade nazista, em Bastardos eles tomam a rédea da situação,mesmo aparentando fragilidade como a sequencia em que o comandante está de frente de seus novos recrutas,todos franzinos,Woody Allens em potencial, ou da bela judia que a qualquer momento o publico acha que ela possa sucumbir frente a força nazista.
Não é apenas pelos personagens que o diretor mostra ao publico que não se trata de um "filme histórico". Trata-se de um longa de Tarantino,então é preciso comédia,muito sangue e diálogos afiados,nada que se veja no cinema que pretende recriar uma realidade.Entretanto como já foi dito a cima, Bastardos Ingloriosos se passa no evento mais exaustivamente comentado do século,todos posuem um imaginário sobre os acontecimentos dos primeiros anos da década de 40, e sendo assim o publico espera uma boa dose de "realismo". O diretor então desde as primeiras cenas tenta distanciar o publico do lugar comum do cinema feito sobre a Segunda Guerra. As cenas encerram em si suspensão,clímax e desfecho,não é possível ao espectador ficar passivo diante ao que acontece na tela,cada sequencia é uma nova surpresa,não é o fim que conta,mas aquele pequeno momento, a camera trabalha neste sentido,cada sequencia é retratada pelos mais diversos angulos,dando movimento,tensionando a ação,pois não sabemos qual o próximo passo. Os diálogos são narrativos,na medida em que através deles ficamos sabendo dos acontecimentos passados,ou de características de um personagem, a palavra tem tanta força quanto a imagem,ao invés de fazer a caracterização apenas pela interpretação e pela imagem, Tarantino opta pela descrição narrada pelo outro através de perguntas e respostas criando assim um estranhamento por parte do publico,acostumado a narrativa imagética. A trilha sonora também é contemporanea e ao contrários de seus outros filmes,parece que não se encaixa às imagens,não flui com a narrativa, causando também um distanciamento por parte da platéia.
Tudo corre bem até que o cineasta coloca uma peripécia que puxa o espectador para os eventos históricos que ele conhece,mas a semente já foi plantada e quem assiste fica na duvida do que pode acontecer,sendo que em qualquer outro filme o desfecho neste caso seria um único,o fracasso. ( Para entender,os bastardos e a garota judia planejam sem ter conhecimento um do outro um ataque contra os figurões do regime que assistirão a preimière de um filme de Gobbels em Paris, e eis que de ultima hora Hitler resolve aparecer na estréia).Mas lembre-se,Tarantino salvou os filmes históricos de si mesmos, e todos os elementos fílmicos desde seu começo levam ao final apoteótico,pequenos clímax que chegam ao seu máximo no local de redenção,o cinema,o local da fantasia por excelencia.
Quando de seu lançamento em Cannes,os jornais anunciaram que depois de Bastardos Inglórios nada poderia ser dito sobre a Segunda Guerra. Discordo. A partir de Inglorious Basterds tudo pode ser dito sobre a Segunda Guerra.
Trata-se de um longa que homenageia o cinema ficcional,a brincadeira de se criar realidades,sem o compromisso com o real. Tudo gira em torno do universo cinematográfico: uma atriz espiã,um comandante crítico de cinema alemão,Gobbels e o cinema de propaganda e o próprio cinema,palco onde as tensões se desenrolarão no final, o local redentor , são alguns elementos da trama.
Em um filme histórico sabemos qual o evento a ser narrado de antemão. Para ater-me apenas na temática nazista cito A lista de Schindler, baseado em fatos reais, A Queda, baseado no depoimento da própria secretária, O Pianista, autobiografia do personagem principal, Operação Valquíria,baseado em fatos reais. Em Bastardos Inglórios,este evento não existe.Tarantino cria um esquadrão de meia duzia de soldados judeus norte-americanos,mais um alemão que odeia o atual governo comandados por um comandante gentio caipira que tem por missão matar o maior numero de nazistas possíveis. Soma-se ao enredo uma judia sobrevivente que vive com identidade falsa em Paris que desperta o interesse romantico de um herói de guerra alemão.A partir destes elementos o cineasta cria seu enredo.
É interessante notar a dicotomia existente entre a representação dos alemães e a dos norte-americanos. Nada que seja muito diferente de Sobrevivendo ao Inferno,filme passado em um campo de concentração para oficiais do exército aliado,onde os ingleses são fleumáticos,os alemães arrogantes e o único norte-americano é um homem simples, com caracteristicas do ideal de cidadão americano,baseball,sem cerimonias,calças jeans e com gosto pelo perigo. Em Bastardos temos o mesmo padrão e mais,Tarantino introduz a herança indígena,o elemento "bárbaro", o pelotão tem por costume escalpar suas vítimas,ordens dada por seu capitão rustico interpretado por Brad Pitt que no filme que o lançou ao estrelato,Lendas da Paixão,era justamente o caucasiano com alma de índio,selvagem,que tentava ter seu lugar na sociedade branca.Já os alemães são brutos,mas com certa afetação. Lobos em pele de cordeiros passíveis de gerar terror no publico,mas também deboche. E é preciso notar a caracterização dos judeus no longa. Se nos filmes eles aparecem como aqueles dignos de pena e indefesos ante a crueldade nazista, em Bastardos eles tomam a rédea da situação,mesmo aparentando fragilidade como a sequencia em que o comandante está de frente de seus novos recrutas,todos franzinos,Woody Allens em potencial, ou da bela judia que a qualquer momento o publico acha que ela possa sucumbir frente a força nazista.
Não é apenas pelos personagens que o diretor mostra ao publico que não se trata de um "filme histórico". Trata-se de um longa de Tarantino,então é preciso comédia,muito sangue e diálogos afiados,nada que se veja no cinema que pretende recriar uma realidade.Entretanto como já foi dito a cima, Bastardos Ingloriosos se passa no evento mais exaustivamente comentado do século,todos posuem um imaginário sobre os acontecimentos dos primeiros anos da década de 40, e sendo assim o publico espera uma boa dose de "realismo". O diretor então desde as primeiras cenas tenta distanciar o publico do lugar comum do cinema feito sobre a Segunda Guerra. As cenas encerram em si suspensão,clímax e desfecho,não é possível ao espectador ficar passivo diante ao que acontece na tela,cada sequencia é uma nova surpresa,não é o fim que conta,mas aquele pequeno momento, a camera trabalha neste sentido,cada sequencia é retratada pelos mais diversos angulos,dando movimento,tensionando a ação,pois não sabemos qual o próximo passo. Os diálogos são narrativos,na medida em que através deles ficamos sabendo dos acontecimentos passados,ou de características de um personagem, a palavra tem tanta força quanto a imagem,ao invés de fazer a caracterização apenas pela interpretação e pela imagem, Tarantino opta pela descrição narrada pelo outro através de perguntas e respostas criando assim um estranhamento por parte do publico,acostumado a narrativa imagética. A trilha sonora também é contemporanea e ao contrários de seus outros filmes,parece que não se encaixa às imagens,não flui com a narrativa, causando também um distanciamento por parte da platéia.
Tudo corre bem até que o cineasta coloca uma peripécia que puxa o espectador para os eventos históricos que ele conhece,mas a semente já foi plantada e quem assiste fica na duvida do que pode acontecer,sendo que em qualquer outro filme o desfecho neste caso seria um único,o fracasso. ( Para entender,os bastardos e a garota judia planejam sem ter conhecimento um do outro um ataque contra os figurões do regime que assistirão a preimière de um filme de Gobbels em Paris, e eis que de ultima hora Hitler resolve aparecer na estréia).Mas lembre-se,Tarantino salvou os filmes históricos de si mesmos, e todos os elementos fílmicos desde seu começo levam ao final apoteótico,pequenos clímax que chegam ao seu máximo no local de redenção,o cinema,o local da fantasia por excelencia.
Quando de seu lançamento em Cannes,os jornais anunciaram que depois de Bastardos Inglórios nada poderia ser dito sobre a Segunda Guerra. Discordo. A partir de Inglorious Basterds tudo pode ser dito sobre a Segunda Guerra.
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